Artigo Cerca Elétrica

Cerca elétrica eficiente, durável e sem dor de cabeça

O mercado de cerca elétrica em países onde a tecnologia está desenvolvida e madura, como em vários países da Europa, Austrália e principalmente na Nova Zelândia, pioneiros na tecnologia e reconhecidamente mestres em manejo de pastagens, é muito grande, chegando a ser o terceiro maior faturamento dentro de grandes revendas, perdendo para Defensivos, fertilizantes e medicamentos.

 
E porquê lá a tecnologia é disseminada e sinônimo de solução, praticidade e eficiência e por aqui é tratada de forma marginal, é o que me pergunto.
 
Em minhas viagens pelo Brasil, tenho visto uns poucos aparelhos jogados nos cantos das lojas e de cada 10 produtores que converso, 9 me relatam insucessos com a tecnologia cerca elétrica.
 
Subdivisão de pastagens é a primeira ferramenta a ser utilizada em uma fazenda quando se pensa em aumentar sua produtividade, mas o custo de construção de uma cerca convencional com 5 fios e lascas a cada 5m, custa em torno de R$ 8.000,00 por km, somando custo de mão de obra, madeira e arame, varia para mais ou para menos de acordo com custo da madeira e mão de obra. Este alto custo faz com que poucos proprietários subdividam suas fazendas para poder otimizar o pasto. O que poderia aumentar em muito a lotação da fazenda e logicamente sua produtividade.
 
A opção que eles têm é a cerca elétrica, mas devido aos altos índices de insucessos, é cada vez menos utilizada. Ou é utilizada de forma mista. Como não confiam no choque acabam reforçando a cerca.
 
O conceito correto da cerca elétrica é que o choque contem o animal e não a robustez da cerca. Mas com deficiências no choque é necessário reforçar a cerca, tornando a tecnologia cara.
 
O custo de construção de uma boa cerca elétrica não ultrapassa a 1/3 do custo de uma convencional, e o que se gasta com materiais de cerca elétrica fica no máximo 15% do total gasto na cerca.
 
A madeira na cerca elétrica tem a função de segurar o fio de choque na altura correta da categoria animal que estamos querendo conter, se usa mais ou menos madeira de acordo com o relevo da fazenda e, se conseguir manter o choque alto por todo o tempo, poderá aumentar cada vez mais a distância entre as lascas.
 
Sei de fazendas que usam lascas de madeira, varetas plásticas ou vergalhões a cada 50 metros e sem entrevero algum. É o relevo do terreno que nos obriga a colocar mais ou menos madeira e não a insegurança na tecnologia.
 
O número de fios a serem usados, também depende do tipo de animal que desejamos conter, se temos animais adultos e jovens é necessário usar 2 fios. Se a propriedade fica em regiões que ocorrem secas é necessário passar um fio ligado ao aterramento na cerca, para que o fio aterrado faça o papel do solo, que sem umidade ou muito arenoso não tem condutividade.
 
A mão de obra pode ficar muito mais barata, pois o trabalho é muito menor. Qual o custo de se fazer um buraco na chão a cada 5 metros e compare com um buraco no chão a cada 50 metros.
 
Lembrem que a cerca elétrica é muito utilizada em países onde não se tem mais mão de obradisponível ou barata e, portanto, precisam de tecnologias de fácil instalação e reduzido nível de mão de obra de manutenção, pois não possuem funcionários para tais serviços e não podem e não querem ficar fazendo retrabalho.
 
Então, se a tecnologia é tão boa e barata, por que não é mais difundida e bem sucedida aqui no Brasil?
 
Em minha opinião, o motivo para este descrédito se deve a antiquada tecnologia e baixa potência dos eletrificadores vendidos no país e principalmente falta de conhecimento básico sobre esta tecnologia.
 
Pergunte ao técnico que lhe assiste:
O que é Joule?
Qual diferença entre Joule armazenado e liberado?
Qual voltagem mínima que os animais respeitam?
Como protejo meu sistema de quebra por raios ou oscilação de voltagem na rede elétrica?
 
Por que incrível que pareça, apesar da subdivisão de pastagens sera primeira ferramenta a ser utilizada nas fazendas para aumentar a produtividade delas, nós na faculdade, não aprendemos nada sobre esta tecnologia.
 
Outro ponto importante é a falta de normatização do setor, onde o consumidor fica refém dos vendedores quenão entregam o que prometem.
 
Joule é a unidade de potência que se usa para eletrificadores, que uma boa analogia é comparar ao HP, onde quanto mais Joulemais força o eletrificador possui.
 
Mas existe ainda a diferença entre o Joule armazenado, que o que ele armazena e o Joule liberado que é o que realmente importa e se refere a quanto de potencia ele despeja na cerca.
 
Os animais respeitam a cerca elétrica se ela estiver maior que 3.000 volts, menos que isto você não tem cerca.E quanto maior a voltagem na cerca melhor será. Não podendo ultrapassar 12.000 volts, que pode trazer risco aos animais. A amperagem nestes equipamentos não podem ultrapassar 0,025A, é o que determina a OMS (Organização Mundial de Saúde).
 
Devemos usar bons sistemas Para-Raios para desviar os raios que caem sobre a cerca e usar estabilizadores para proteger o eletrificador de oscilações de voltagens na rede elétrica. Fazendo isto seu aparelho estará protegido e dificilmente quebrará e deixará sua cerca vulnerável.

 
Animais mais reativos como os da raça nelore, são mais facilmente contidos, já os mais dóceis e mansos, são os que dão mais trabalho, pois estão sempre alerta procurando por oportunidades de fuga. Mas, se o choque for eficiente, tanto animais reativos e mansos, serão contidos. Se os animais não estão respeitando a cerca elétrica é por que o choque está baixo.
 
Tenha sempre um voltímetro na mão e anote diariamente a voltagem no ponto final de sua cerca. Assim verá que o dia que teve fuga é por que o choque estava abaixo de 3.000 volts.
 
Fazer analogia com um sistema de irrigação é bem interessante para entender melhor sobre cerca elétrica.
 
Você não compra um motor (bomba d’agua), perguntando quantos km ele joga a água. Pois esta resposta tem muitas variantes. Precisamos saber qual o diâmetro da tubulação, se esta água vai subir morros ou descer, se a tubulação tem problemas, emendas, furos e principalmente quanto de água precisamos jogar no final do sistema.
 
Estas mesmas perguntas podem ser aplicadas a cerca elétrica. Precisamos saber o calibre do fio condutor (quanto mais grosso melhor), precisamos saber se é bem galvanizado e novo (o choque corre pela superfície do fio, se ele estiver enferrujado não será um bom condutor), saber ainda se tem muitas emendas (causam uma maior resistência à condução do choque).
 
Portanto, quanto maior a resistência para passagem do choque, determinada pela bitola e estado do arame, teremos uma necessidade maior de potencia.
 
Prometer Quilometragem sem saber sobre estas variantes pode ser um tiro no pé.
 
A grande maioria dos eletrificadores vendidos no Pais não tem 0,5 Joules, sendo um motorzinho muito fraco e que ao encontrar a primeira resistência não conseguem ultrapassar e deixam a cerca sem choque.
 
Na Nova Zelândia, país de fazendas pequenas,já existem eletrificadores de 63 Joules liberados. Compare os de 0,5 joules vendidos no Brasil e entenderá por que aqui a cerca tem este descrédito.
 
Por lá eles usam uma regrinha que ajuda a adequar a potencia do eletrificador a cerca. Para cada Joule liberado montamuns 5 km de cerca, mas por lá, usam potência de sobra, pois não fazem manutenção na cerca. Aqui no Brasil usamos 1 joule para 10 km de cerca nova e em perfeitas condições. Mas esta regra não se aplica se o fio condutor estiver com muita resistência (enferrujado, cheio de emendas mal feitas), isoladores ressecados (plásticos ressecados perdem a função de isolador, é necessário ter filtro UV no Plástico), aterramento insuficiente, etc. Existe a possibilidade de 1 joule dar conta de bem mais que 10 km, mas é tudo uma relação de carga e potência, ou seja quanto mais potência, mais alcance o eletrificador tem e mais resistências ele atravessa.

 
Na Nova Zelãndia , por exemplo, quando o eletrificador deles já não está mais dando conta de manter o choque alto na cerca, costumam trocar por um mais potente, pois fica mais barato do que contratar alguém para reformar a cerca toda.
 
Só que, por lá, eles monitoram a cerca diariamente, pois praticamente todos os eletrificadores, possuem visores digitais, que mostram como está a voltagem média da cerca, bastando olhar para o eletrificador e verificar com quantos volts médios a cerca está. Se não monitoramos a voltagem da cerca, saberemos sobre um problema, somente depois que ele ocorreu.
 
A cerca elétrica foi desenvolvida na Nova Zelândia em 1938 e de lá para cá, eles já acertaram e erraram muito e hoje podem nos repassar somente os acertos, poupando a todos nós dos dissabores dos insucessos. Basta a nós, termos humildade e sabedoria para copiar o que deu certo.
 
Este cenário que os países desenvolvidos vivem hoje, em breve será o nosso, pois a mão de obra rural está cada vez mais escassa e cara. Madeira cada vez mais escassa e cara. Teremos que produzir cada vez mais em menos áreas, pois não podemos desmatar mais nada e estamos perdendo área de pecuária para agricultura, para reservas, etc. Sem falar no crescente aumento do uso de integração lavoura pecuária, que não seria viável sem usar a cerca elétrica, pois não dá para ficar construindo um cerca convencional e desconstruindo seguidas vezes. Em resumo, quanto mais potente e mais confiável for sua cerca elétrica, mais eficiente será. E consequentemente menos se gastará, pois o caro é madeira, arame e mão de obra.

 
Existe tecnologia para se construir uma cerca elétrica que substitui a cerca convencional e esta sendo tão eficiente e durável quanto, eainda, se gastando no máximo 1/3 do que se gastaria com a construção de uma cerca tradicional, reduzindo em muito a necessidade de manutenção, chegando a níveis de manutenção até mais baixos dos que a manutenção de cerca convencional.
 
Podemos sim piquetear o Brasil e nos tornar muito mais eficientes e produtivos.