Viagem à Nova Zelândia

Senhores,

Acabo de chegar de uma visita a Nova Zelândia.

Passei uma semana por lá, visitando a fábrica da Tru-Test, participando de uma conferência de gerentes senior de todo o mundo e visitando fazendas e lojas agropecuárias pelo país.



Andei por toda a ilha norte, de Palmerston North até Auckland e fiquei maravilhado com o que ví.

É um país extremamente pecuário, a lotação é altíssima e antes de serem produtores de gado, são produtores de pasto.

Tudo lá é pasto, e pasto adubado e corrigido. Até o alto dos morros, onde o homem tem difícil acesso, mas os cachorros fazem o trabalho de pastorear o gado, e a adubação é feita com aviões.

A mão de obra é praticamente familiar, um funcionário, quando há funcionário, ganha mais de U$4000,00 por mês. Portanto, por lá não existe mão de obra, estão substituindo lascas de madeira da cerca, por fibra de vidro ou plástico, pois o custo da madeira também é proibitivo.



As fazendas de leite, são em sua maioria automatizadas, vi vários carroceis com somente um operador colocando as teteiras e o resto é tudo com as máquinas.

O cenário de alto custo de mão de obra e de madeira, já vivemos aqui no Brasil. O custo de uma cerca convencional de 5 fios de arame e lascas a cada 4 metros é proibitivo.

Por lá, se usa lascas a cada 20,30,40 metros de distância, barateando em muito o custo e facilitando a construção, pois não é necessário contratação de mão de obra para isso.

Nós não temos mais áreas para serem abertas para exploração agropecuária, devido a pressões ambientalistas. Na Nova Zelândia, é uma questão física mesmo, não tem mais o que derrubar e nem espaço para ocupar, devido a pequena extensão do país. A diferença está na eficiência do manejo das pastagens, pois produzir nós sabemos, mas não somos eficientes em manejar este pasto. E é a cerca elétrica a ferramenta que possibilita esta alta exploração e suporte que eles tem com as pastagens.

Sempre ouvi muito no Brasil, inclusive de consultores renomados, que a cerca elétrica funciona na Nova Zelândia, por que o pasto deles é curto e os nossos tem um vigor e crescimento maiores e em função disto, nossas cercas tem menor voltagem no arame e o gado não a respeita. Bom, isto se resolve com potência! A maioria dos eletrificadores vendidos no Brasil não tem 0,2 joules de potência, enquanto que na Nova Zelândia, temos equipamentos de até 63 Joules de potência liberados. E por lá, não temos fazendas grandes, ou seja, a preocupação é ter potência de sobra na cerca.



Visitei várias lojas das 3 principais redes de lojas da NZ. (RD1, Farmlands, PGG). Conversei com os gerentes de todas e todos me relataram que no período de inverno, o seguimento de cerca elétrica é o principal faturamento das lojas, e que na média, ficam em 3º lugar no ano em faturamento. Mesmo agora em novembro, as vitrines e promoções mostram a importância da cerca elétrica dentro do faturamento deles.



A venda é maior no inverno, porque, como o crescimento do pasto é menor, eles precisam aproveitar da melhor maneira possível o que produzem, piqueteando ao máximo e rotacionando estes animais. Durante o ano, eles cuidam da cerca instalando eletrificadores potentes e no inverno, instalam pequenos eletrificadores para pequenos piquetes, usando muito sistemas móveis, com fios e fitas eletroplásticas, varetas plásticas, carreteis,etc.



Tenho absoluta certeza, que em breve passaremos a usar melhor esta tecnologia no Brasil. Estou correndo atrás do tempo perdido e tenho procurado treinar e orientar o maior número de pessoas possível. Nossos técnicos sabem de cor e salteado, quantos PPM de cada elemento da tabela periódica deve ter nosso solo, mas não sabem quantos joules são necessários para ter uma cerca eficiente para manejar este pasto.



Falta muita informação no nosso mercado, mas saí de lá convicto que a cerca elétrica é a ferramenta que possibilitou a Nova Zelândia se tornar a referência mundial em manejo de pastagens que é. E vamos trazer este conhecimento ao Brasil e assim aumentar em muito a produtividade e ainda proporcionar o crescimento de um gigantesco mercado, que hoje é tratado de forma marginal. Portanto, acredito que a cerca elétrica vai trazer bons resultados para produtores e lojistas, que passarão a ganhar mais dinheiro, usando e vendendo esta tecnologia.


Abraço.


Ernesto.